Hidrogênio de baixo carbono avança no Brasil, mas enfrenta entraves estruturais até 2030
- 20 de abr.
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O Brasil se posiciona como um dos potenciais protagonistas na economia global do hidrogênio de baixo carbono, mas o caminho até a consolidação desse mercado ainda é marcado por incertezas e desafios estruturais. Estudo recente publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) aponta que, embora o país reúna condições competitivas — como abundância de fontes renováveis e capacidade industrial —, a materialização desse potencial dependerá de uma articulação consistente entre políticas públicas, investimento privado e maturidade tecnológica ao longo da década.
Escala, custo e regulação definem ritmo de expansão do mercado
As projeções indicam que o Brasil poderá atingir uma produção entre 200 mil e 800 mil toneladas anuais de hidrogênio de baixo carbono até 2030, alinhando-se às estimativas internacionais, ainda que em estágio inicial de desenvolvimento. O estudo destaca que o crescimento desse mercado está condicionado a fatores críticos, como a precificação de carbono em setores intensivos em emissões, a redução dos custos de eletrolisadores e o avanço de rotas tecnológicas alternativas — incluindo o uso de biomassa, uma vantagem comparativa brasileira ainda pouco explorada. Apesar do volume expressivo de anúncios globais de investimento, apenas uma fração reduzida tem se convertido em decisões finais, evidenciando um descompasso entre intenção e execução que também se reflete no cenário nacional.

Nesse contexto, estratégias gradualistas — baseadas em projetos-piloto e no desenvolvimento do mercado interno antes da exportação — surgem como abordagem dominante. Iniciativas como programas de P&D coordenados pela Aneel e políticas voltadas ao hidrogênio de baixa emissão tendem a desempenhar papel decisivo na redução do diferencial de custo em relação ao hidrogênio fóssil, considerado hoje o principal obstáculo à expansão do setor.



