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Engenharia brasileira realiza feito histórico nos EUA com veículo a hidrogênio

  • há 6 horas
  • 5 min de leitura

A trajetória do Grupo Cataratas de Eficiência Energética na Shell Eco-Marathon Americas 2026, realizada no Indianapolis Motor Speedway, consolida-se como um marco de superação técnica e projeção internacional da engenharia brasileira. Em uma das mais rigorosas plataformas globais de inovação em mobilidade sustentável, a equipe alcançou um resultado histórico ao obter aprovação total na inspeção técnica — etapa crítica que valida segurança, confiabilidade e desempenho dos protótipos em competição.



Hidrogênio, resiliência e inovação posicionam equipe brasileira entre as mais avançadas


A conquista do índice máximo (10/10) na inspeção técnica reflete uma combinação de maturidade operacional e capacidade de engenharia sob pressão. Segundo o professor Fernando José Gaiotto, os desafios foram superados por meio de ajustes finos em sistemas auxiliares e calibração de sensores de hidrogênio — especialmente diante de diferenças na pureza do combustível utilizado nos testes internacionais.



O protótipo, movido a célula de combustível, evidencia o potencial do hidrogênio como vetor energético limpo, seguro e versátil, capaz de integrar diferentes rotas de produção e armazenamento. Para Gaiotto, essa tecnologia tende a desempenhar papel central na transição energética global, sobretudo pela sua capacidade de armazenar energia e atender picos de demanda. O impacto da participação vai além da pista: ao competir em igualdade técnica com equipes internacionais, o grupo demonstra a competitividade da engenharia nacional, ainda que desafios mecânicos persistam no ambiente de prova.


A iniciativa também conta com o apoio de agentes privados, como o empresário Carlos Peixoto, que destaca o papel estratégico do investimento em pesquisa aplicada como forma de reter talentos e estimular a criação de novos mercados tecnológicos no país. Com a aprovação garantida, o GCEE avança agora para as provas de eficiência, levando ao limite não apenas o desempenho do veículo, mas a própria ambição de posicionar o Brasil como protagonista na engenharia da mobilidade sustentável.



Confira as entrevistas completas AQUI:



Entrevista com professor Fernando Gaiotto:


A aprovação 10/10 na inspeção técnica da Shell é um marco relevante — especialmente sendo um dos únicos veículos da categoria a alcançar esse resultado. Quais foram os principais desafios de engenharia enfrentados pela equipe durante esse processo e quais soluções técnicas foram determinates para atingir esse nível de excelência?


Com relação à experiência técnica sob pressão internacional, e com o passar do tempo, a equipe foi adquirindo uma certa maturidade, também experiência, pra resolver problemas em condições adversas e de competição. Então, essas soluções técnicas partiram do grupo em pensar e resolver problemas dos quais eles mesmos já passaram, já enfrentaram. Então, nós fomos muito bem. E pequenos ajustes na parte elétrica, no sistema elétrico auxiliar, como limpador de para-brisa, seta, pisca-alerta, foram feitos. E também uma calibração no sensor de hidrogênio, que é um item de segurança, e que eles detectaram o vazamento do hidrogênio se caso ocorrer. Então, foi isso. O hidrogênio que eles usam aqui para esse tipo de teste, ele é menos puro e consequentemente o nosso detector no Brasil, ele foi calibrado com um hidrogênio muito puro, de Itaipu Parquetec, e consequentemente aqui então foi necessário fazer esse ajuste.

O protótipo do GCEE aposta no hidrogênio como matriz energética. Como você avalia o papel dessa tecnologia no futuro da mobilidade urbana e quais diferenciais o projeto brasileiro apresenta em relação às demais equipes internacionais?


O hidrogênio como um vetor de inovação vem se demonstrando muito sólido e com certeza ele contribuirá para uma transição dessa matriz energética, respeitando os itens de segurança, como utilizá-lo, como transportá-lo e testando, utilizando ele, no nosso caso, em célula combustível, pra gerar eletricidade para os motores, 100% seguro, 100% limpo e muito viável economicamente, no sentido de que você não precisa produzir e transportar longas distâncias. Você pode produzir em um local onde a rota para a produção do hidrogênio venha através da biomassa. Em outros lugares, energia solar e eólica usada para eletrólise e a produção do hidrogênio. E outras formas também de potenciais seriam sentido de armazenar melhor essa energia. Então em horários que você não está utilizando energia elétrica, você poderia estar armazenando essa energia elétrica, gerando hidrogênio e consequentemente utilizando em momentos de uma demanda maior de energia elétrica. Então eu acho que o uso de hidrogênio caminha em paralelo com o armazenamento e seu transporte. E hoje já se fala em armazenamento do hidrogênio no estado sólido, por cilindros específicos, e tudo isso vai caminhando paralelo. Isso vai gerando uma base sólida para que essa matriz energética possa ser sólida e ser também sustentável.


Qual é o significado dessa conquista para a engenharia brasileira e qual mensagem você deixa para a nova geração de engenheiros?


O impacto estratégico e a projeção internacional é muito importante para os alunos, para os professores. Ao colocar esses veículos protótipos na pista e competir de igual pra igual com as outras equipes, nós notamos que nossa tecnologia não se encontra inferior às demais equipes, nossa célula combustível, nossa tecnologia, nossa eletrônica se equipara às outras equipes e acho que os desafios dos engenheiros estão mais na parte mecânica na hora de competir na pista. Mas uma mensagem muito importante que eu gostaria de deixar para essa nova geração é que conheça essa fonte de energia, conheça os seus potenciais, suas formas de geração e que é uma fonte muito promissora para um futuro muito próximo, onde eles estarão mais preparados ao participar de competições nacionais e internacionais como a competição Shell Eco-Marathon nas múltiplas etapas, que inclusive, a partir desse ano, passa a ter uma pontuação e um campeonato global, onde as principais equipes somam pontos, todas as equipes somam pontos, mas as principais serão selecionadas para uma etapa no Catar no ano de 2027. Então isso só motiva os engenheiros ainda mais, motiva esses alunos, futuros engenheiros, a estar trabalhando com essa tecnologia tão interessante.


Entrevista com o patrocinador Carlos Peixoto:



Qual é sua motivação em patrocinar uma equipe de estudantes brasileiros de engenharia?

Qual a importância da participação de pequenos e médios empresários no financiamento e apoio de iniciativas de universidades brasileiras?


No caso da H2helium, o interesse em colaborar com projetos de pesquisa e desenvolvimento de aplicações de novas tecnologias, como é o caso da mobilidade urbana a hidrogênio, vai além da projeção de imagem como empresa associada à inovação, à juventude, e ao incentivo às novas gerações de brasileiros.
Nós acreditamos que apoiar iniciativas como o Grupo Cataratas de Eficiência Energética da UNIOESTE e UNILA, é uma forma de ir além do cumprimento de nossas obrigações legais e sociais. Visamos gerar impacto positivo na sociedade, demonstrando comprometimento com a consolidação da engenharia nacional. No passado recente, perdemos muitos engenheiros, estatísticos, físicos e outros para o mercado financeiro, pois é difícil competir monetariamente com esses captadores de mão da obra de alta qualificação como a que sai dos campus de nossas universidades. Dar a esses novos profissionais uma oportunidade de ver além da monetização de curto prazo, de participar da criação de novos mercados, de atuar de acordo com sua vocação, isso vale muito à pena para nós.



PATROCINADORES GCEE:





RADAR DO HIDROGÊNIO



 
 
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