Hidrogênio e eólica offshore avançam como combinação estratégica para a descarbonização

A integração entre energia eólica offshore e produção de hidrogênio de baixa emissão de carbono desponta como uma das rotas tecnológicas de maior potencial para a descarbonização profunda dos sistemas energético e industrial. Estudo técnico que avalia diferentes tecnologias de eletrólise, configurações produtivas e condições regionais aponta que, em áreas marítimas favoráveis, o custo nivelado do hidrogênio produzido a partir dos ventos offshore poderá alcançar aproximadamente US$ 1,50 por quilograma até 2030, ao mesmo tempo em que apresenta uma pegada de carbono de ciclo de vida substancialmente inferior à do hidrogênio de origem fóssil.
Eletrólise, localização e escala definirão a competitividade do hidrogênio offshore
O estudo analisa três rotas de eletrólise — alcalina (AWE), membrana de troca de prótons (PEMWE) e óxido sólido (SOEC) — e compara sistemas de produção centralizada offshore, distribuída no mar e centralizada em terra. A avaliação espacial identifica Zhejiang e Guangdong, na China, entre as regiões de maior potencial de recursos marítimos, enquanto Liaoning e Hebei, no entorno do Mar de Bohai, apresentam vantagens relacionadas à proximidade de centros consumidores e de infraestrutura existente. No campo econômico, a redução dos custos dos eletrolisadores surge como variável decisiva: segundo as projeções consideradas pelo trabalho, políticas e ganhos tecnológicos poderiam reduzir esses custos em 40% no curto prazo e até 80% no longo prazo.
O resultado seria uma trajetória capaz de aproximar o hidrogênio verde offshore da competitividade do hidrogênio azul em regiões favoráveis. Ambientalmente, a diferença é expressiva: o estudo estima uma pegada de apenas 0,4 a 0,8 kg de CO₂ equivalente por kg de H₂ para a rota eólica offshore, ante 9,3 a 11,9 kg de CO₂ equivalente por kg de H₂ para o hidrogênio cinza. A combinação entre recursos eólicos abundantes, eletrólise em escala, infraestrutura costeira e demanda industrial transforma, assim, o hidrogênio offshore em uma alternativa estratégica para converter eletricidade renovável em combustível e insumo industrial de baixíssima emissão.



